Com o “projeto de sapatarias”, Aliança contra Hanseníase está mudando vidas no Centro-Oeste brasileiro

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Sapatarias

Impacto na região é gerado em parceria com o governo de Mato Grosso e a CIOMAL

Os desafios vivenciados por pessoas acometidas pela hanseníase são inúmeros e a locomoção é um deles. As alterações da sensibilidade e da força muscular nos pés decorrentes de disfunções no nervo podem comprometer tarefas comuns como caminhar, subir ou descer escadas, além disso, há riscos de lesões e ferimentos na região. Neste cenário, o uso de calçados convencionais nem sempre é possível. É para oferecer mais qualidade de vida a essa população que a AAL está implementando sapatarias especializadas em municípios de Mato Grosso.

A iniciativa deu seus primeiros passos em 2020, com a assinatura de um Termo de Cooperação Técnica com governo do Mato Grosso em prol do projeto “Mato Grosso em Redes: Cuidado Integral em Hanseníase”. A parceria nasceu para estruturar a rede de cuidados integrais para a hanseníase a partir de estratégias inovadoras e permanentes, entre elas, a implantação de sapatarias focadas no atendimento de pessoas impossibilitadas de utilizar calçados comuns devido às sequelas provocadas pela hanseníase.

Devido à pandemia, as atividades iniciaram em março deste ano e, hoje, o projeto está em pleno andamento sendo viabilizado com recursos repassados pela Companhia Internacional da Ordem de Malta contra a Hanseníase (CIOMAL, na sigla em francês), com a qual o Instituto AAL tem sólida parceria. Três municípios mato-grossenses – Alta Floresta, Tangará da Serra e Barra do Garças – tiveram sapatarias implantadas ou estavam em implantação até o final de agosto de 2022. Outras cidades devem ser contempladas nos próximos meses.

Consultora do projeto, a terapeuta ocupacional e doutora em Ciências da Saúde Susilene Nardi explica que a AAL inicialmente oferece capacitação teórica e prática aos profissionais elencados previamente pelo gestor do município, garantindo que a sapataria especializada, a ser implantada, funcione com eficiência. A AAL doa equipamentos e materiais de consumo específicos para que os profissionais capacitados possam iniciar o trabalho seguidamente à capacitação. Além da disponibilização de recursos humanos para o desenvolvimento do serviço, cabe ainda ao gestor do município destinar o local onde a sapataria será implantada e toda a infraestrutura organizacional para que o serviço funcione.

“A capacitação teórica, de 12 horas, é ministrada por mim a distância. Há outras 8 horas ministradas por um  fisioterapeuta que atua na região e tem experiência prática. Ele  se desloca até o município para ajudar a instalar os equipamentos e já realiza a parte prática da capacitação. Desta forma, os profissionais locais produzem as palmilhas e as  adaptações de calçados após criteriosa avaliação dos membros inferiores de cada paciente”, explica Dra. Susilene. Sobre isso, Dr André Brito complementa: “O paciente é avaliado e, de acordo com a  pisada e úlceras plantares, é confeccionada uma palmilha específica. Os resultados são a melhora das feridas e das dores nos pés e o aumento da qualidade de vida, pois o paciente consegue andar e fazer suas atividades diárias”.

Desde março deste ano, já foram feitos 109 pares de palmilhas e cinco adaptações de calçados. Para a Dra. Susilene, o foco em qualidade é uma das marcas das ações que a AAL se propõe a oferecer. “Atingir um grande público e perder a qualidade não é o objetivo, mas oferecer qualidade no atendimento. Com este propósito, a AAL tem oferecido enorme contribuição aos que têm ou tiveram hanseníase e causado um impacto bastante positivo aos que ela assiste”.

Protagonismo no combate à hanseníase

Além de Brito, a enfermeira Letícia Viotto faz parte da equipe da parceira no projeto. Temos o orgulho de ter ao nosso lado profissionais com atuação ativa no combate à hanseníase em Alta Floresta, município hiperendêmico em casos de hanseníase. Durante a “17ª Mostra Brasil, aqui tem SUS”, Letícia apresentou o projeto piloto do Ambulatório de Atenção Especializada Regionalizado em Hanseníase: Matriciamento em Hanseníase na Atenção Básica, que atende Alta Floresta e a região Alto Tapajós. 

O evento reuniu casos de sucesso na área de saúde que ocorreram em municípios de todos os estados brasileiros. A equipe responsável elaborou um cronograma para realizar diversas ações em 15 unidades de Saúde da Família da região. Entre elas estão a capacitação de quatro horas com toda a equipe das unidades em diagnóstico da hanseníase, o manejo de reações, os critérios para encaminhamento de casos para o ambulatório, e a oferta de uma sapataria itinerante oferecida pelo AAL em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde do Mato Grosso.

Instituto Aliança contra Hanseníase

Com sede em Curitiba (PR) e projeção internacional, o Instituto Aliança contra Hanseníase é uma associação sem fins lucrativos que une ciência, educação e filantropia no combate à hanseníase. O Instituto AAL foi fundado pela dermatologista e hansenologista Dra. Laila de Laguiche, profissional com 20 anos de experiência na área, pós-graduada em Saúde Internacional e Doenças Tropicais pelo Instituto de Medicina Tropical da Antuérpia (Bélgica). Já atuou como representante da regional Sul e Relações Internacionais da Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH). A entidade ainda conta com uma equipe de conselheiros formada por grandes referências em hansenologia no Brasil e na América Latina. 

Mais informações, acesse: www.allianceagainstleprosy.org

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